O Islam E A Batalha Entre Extremismo E Negligência

Em Nome De Allah, O Misericordioso, O Misericordiador

 (Faça, para uma leitura mais agradável, o download do ficheiro PDF aqui.)

Em tempos recentes muitas pessoas que convidam para o Islam começaram a discutir o assunto de moderação e extremismo no Islão. Infelizmente, muitas destas discussões são guiadas por agendas políticas em ambos os lados da linha de divisão, isto é a fim de dizer que existem daqueles Muçulmanos que, no desejo deles de serem vistos como integrados pela comunidade anfitriã, rotulam como extremista aquilo que eles vêem como estranho para a sociedade em que eles vivem. Um exemplo disso é o debate gigante que irrompeu em 2006 no Reino Unido em relação ao uso do véu da cara (ou niqab) pela mulher Muçulmana. [Nota do tradutor: em tempos recentes temos o exemplo de França e outros países da Comunidade Europeia.]

Se alguém for a estudar Islâmicamente o assunto do véu da cara fora da agenda predominante política e cultural, iria de descobrir que o véu da cara é no mínimo recomendado pela legislação Islâmica, e não pode ser rotulado como extremo. No entanto, outras pessoas podem até considerar o crescimento da barba como extremo, ou o facto de uma Muçulmano orar cinco vezes por dia como extremo. Todos estes julgamentos são baseados na cultura moderna prevalecida e não num estudo sobre o Alcorão ou tradições Proféticas.

No outro lado da linha de divisão, temos os extremistas que vão além dos limites da legislação Islâmica, outra vez, guiados por ou agendas culturais ou políticas, eles podem tirar a vida de indivíduos através de homicídio e terrorismo e atribuir isso ao Islam e até mesmo afirmar que o Islam legisla tais actos depreciativos. Aqueles que realizaram os ataques-bomba no metro em Londres no dia sete de Julho e as explosões em autocarros em Londres (outro acontecimento semelhante é por exemplo o de 11 de Setembro – i.e. o ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque) afirmaram que eles foram guiados pelo Islam. Outros extremistas podem participar em o que é frequentemente rotulado nestes tempos como assassinatos de honra de membros femininos de suas famílias, ou forçam as suas filhas a se casarem com aquele que elas não se desejam casar, e seguidamente atribuem isso ao Islam! Nada pode estar mais longe da verdade. Este artigo irá de discutir o conceito Islâmico de levar o caminho balançado e médio na religião.

O Caminho Balançado & Médio

O caminho balançado e médio no Islam é uma pessoa não transgredir os limites fixados por Allah, e da mesma forma não cair em fraqueza em respeito a eles. Este caminho moderado e balançado encontra-se na aderência ao exemplo da vida do Mensageiro de Allah (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele), não indo aos extremos em segui-lo e não ficar aquém (inferior) em segui-lo. Um exemplo disto seria um homem dizer, eu desejo ficar (em pé) durante cada noite e não dormir porque orar é a melhor forma de adoração portanto eu adoro ficar acordado orando continuadamente. Isto é extremismo na religião que opõe a verdade. Algo similar a isto ocorreu no tempo do Profeta (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele), quando três homens se juntaram e disseram, eu vou orar durante a noite e não irei de dormir, o outro disse, eu irei de jejuar continuadamente e não irei de quebrar o meu jejum, e o terceiro disse, eu não me irei de casar. Então as notícias desta discussão chegaram ao Mensageiro de Allah (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele), e ele disse: “O que se passa de errado com alguns de vocês que dizem tais coisas?! Eu jejuo e eu quebro o meu jejum, eu fico em pé em oração uma porção da noite e durmo também e eu caso (com) mulheres. Portanto qualquer um que opõe o meu caminho (ou maneira) então ele não é dos meus.” (Reportado por al-Bukhari). Estas pessoas foram portanto a um extremo na religião, então o Profeta (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele), repreendeu-os e corrigiu-os, porque eles opuseram-se à sua Sunnah (i.e. o seu caminho ou maneira).

No que diz respeito em ficar aquém, então isto é se uma pessoa disser, eu não tenho necessidade das obrigações que Allah e o Seu Mensageiro (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele) colocaram sobre mim, ou ele afirma, eu não necessito de realizar actos desnecessários de adoração. Quanto ao caminho médio, moderado e balançado, então isso é proceder sobre o caminho do Mensageiro de Allah (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele) e o caminho dos seus nobres Companheiros (que Allah esteja satisfeitos com eles).

Outro exemplo que pode ser mencionado aqui é o de três homens, à frente deles encontra-se um pecador público. Então o primeiro afirma, quanto a mim, eu não irei de cumprimentar este faasiq (pecador público) com a saudação da paz (i.e. o salam), eu irei de lhe boicotar e distanciar-me dele e não falar totalmente com ele! O segundo afirma, quanto a mim eu irei de acompanhar este pecador, dar-lhe o salam, vou-lhe mostrar a minha satisfação e felicidade à frente dele, irei de lhe convidar e eu irei de aceitar os seus convites, e tenho-o em conta como um homem piedoso. O terceiro homem afirma, este homem é um pecador, e eu tenho desgosto dele devido ao seu pecado e eu amo-o devido ao imaan (fé) que ele tem. Eu não lhe irei de boicotar ou abandonar-lhe a não ser que eu veja que isso irá de lhe rectificar, e se o meu boicote dele não trouxer a sua rectificação mas em vez disso eu vir que lhe irá de aumentar o seu pecado, então eu não o irei de abandonar. Nós dizemos então que o primeiro homem passou dos limites e caiu em extremismo, o segundo ficou aquém e tornou-se negligente. No que diz respeito ao terceiro, este é então aquele que é balançado.

Isto é o que dizemos em respeito a todas os actos de adoração como também os relacionamentos mundanos e interacções sociais, (em) que as pessoas são extremas, ou negligentes ou balançadas.

Outro exemplo é o de um homem que é casado, então ele é subserviente para com a sua mulher e vai para o caminho que ela lhe manda, ele não a corrige quando ela peca, e ele não a encoraja com bondade e comportamento excelente. Ao contrário disso, ela possui a sua tomada de decisão, e ela tem autoridade sobre ele. E no outro extremo há um homem que sobrecarrega e é arrogante e ele não tem preocupação com a sua mulher ou com os seus sentimentos, ele humilha-a e trata a mais mal do que um escravo oprimido. O terceiro homem é balançado e moderado em respeito à sua mulher, tal como Allah o ordenou, “E elas têm direitos iguais às suas obrigações.” (Alcorão 2: 228), e o Mensageiro de Allah (paz esteja com ele) disse, “Que um homem crente não odeie uma mulher crente, se ele desgosta de uma qualidade em ela, então que ele esteja satisfeito com outra.” (Reportado por Imam Muslim). Vemos portanto que o primeiro homem é negligente, o segundo é extremo e o terceiro está alinhado com a legislação sábia, e ele é moderado e balançado.

De todos estes exemplos vemos que moderação e balanço são assertivos através dos ensinamentos do Alcorão e Sunnah (Tradição) Profética. Como Muçulmanos, nós somos obrigados a acreditar que a legislação do Alcorão e da Sunnah é justa e balançada, como Allah, O Altíssimo, afirmou, Allah testemunha que nada tem o direito de ser adorado excepto Ele, e os Anjos e aqueles com conhecimento testemunham também. E Ele está estabelecido com justiça, nada tem o direito de ser adorado excepto Ele, O Todo-Poderoso, O Sábio. No entanto, aqueles que entendem mal os textos devido à sua ignorância, ou interpretam-nos de modo incorrecto devido aos seus desejos desviados, eles são aqueles que caem em negligência e extremismo.

Encontramos pensadores e autores modernistas Muçulmanos que afirmam estar a reinterpretar o Islam para a idade moderna, afirmando que o Mensageiro de Allah costumava encorajar as pessoas com facilidade e para levarem os caminhos de facilidade, eles citam como prova para esta afirmação, “Dá boas notícias e não causais que as pessoas fujam, e faz as coisas fáceis e não tornes as coisas difíceis.” (Reportado por Muslim) e a afirmação de Allah, “Allah vos deseja a facilidade, não vos deseja a dificuldade.” (Alcorão 2: 185). Eles utilizam estes tipos de textos para justificar os seus próprios defeitos. Alguns modernistas afirmam até que se um acto religioso não é encontrado no Alcorão, então não precisamos de actuar de acordo com ele. Esta afirmação deles é uma violação clara do texto Alcorânico.

Alguns Exemplos Para Mostrar O Caminho Médio Entre Extremismo E Negligência

1. A Barba Dos Muçulmanos

“A barba dos homens Muçulmanos causa que as pessoas se sintam intimidadas, portanto ele deve removê-la ou cortá-la.”

Esta afirmação mostra negligência em cumprir o comando do Profeta (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele) em que ele disse, “O meu Senhor comandou-me para deixar crescer a barba e aparar o meu bigode.” (Reportado por At-Tabari). Ele também comandou aos crentes, “Aparem o bigode e deixem as barbas crescer.” (Reportado por Bukhari e Muslim). Deixar as barbas crescer faz parte da disposição natural de um homem e é um sinal de distinção de um Muçulmano, como foi afirmado em outras narrações. Opor este comando é uma acção pecaminosa. Portanto o caminho médio é deixar crescer a barba, e negligência é rapá-la ou apará-la.

2. O Véu Da Cara E O Manto Exterior Usado Pelas Muçulmanas

“O véu da cara e o manto externo usado pelas mulheres Muçulmanas são intimidadores e desnecessários; portanto as mulheres não os devem vestir.”

Isto é outra afirmação que fica aquém da legislação balançada. No que diz respeito ao manto externo ou Jilbab, a mulher foi comandada com ele no Alcorão onde Allah diz, “Ó Profeta! Dize a tuas mulheres e a tuas filhas e às mulheres dos crentes que se encubram em suas roupagens (Jilbabs). Isso é mais adequado, para que sejam reconhecidas e não sejam molestadas.” (Alcorão 33: 59). O manto externo foi ordenado por Allah, não é portanto permitido desobedecê-Lo devido à cultura prevalecente ou tradições tribais ou em nome da integração! No que diz respeito ao véu da cara então isto é no mínimo recomendado pela legislação. Foi afirmado por Aisha, a mulher do Profeta (que a paz esteja com ele), que quando os Companheiros se aproximaram dela, “Eu cobri a minha cara deles com o meu traje.” (Reportado por al-Bukhari). Ela também afirmou que durante a Hajj (Peregrinação), quando os homens cavaleiros passavam por ela, ela deixava cair o seu traje (ou peça de roupa) da sua cabeça sobre a sua cara. (Reportado por Abu Dawud). E relatos semelhantes foram reportados pela cunhada do Profeta (paz esteja com ele), Asmaa durante a Hajj que disse, “Nós costumávamos cobrir as nossas caras dos homens.” (Reportado por al-Haakim). É portanto estranho encontrarmos líderes Muçulmanos da comunidade afirmando que não há menção do niqab (véu da cara) no Alcorão e que por isso não é do Islam, mas que é meramente uma velha tradição Árabe do deserto! Enquanto que nas narrações acima encontramos que o véu da cara era a prática das mulheres crentes.

3. O Aperto De Mão Entre Sexos Opostos

“Se um homem Muçulmano não apertar a mão de uma mulher, os não-Muçulmanos irão de pensar que isto humilha (ou rebaixa) as mulheres, levemos então as coisas pela facilidade e apertem as mãos com o sexo oposto.”

Esta afirmação é uma aproximação negligente que fica aquém do caminho médio. O Profeta (sallallaahu ‘alayhi wa sallam) disse, “Eu não aperto as mãos de mulheres.” (Reportado por Ibn Maajah). E Aisha a mulher do Profeta (que a paz esteja com ele) afirmou, “Por Allah, a mão do Mensageiro de Allah nunca tocou outra mulher [outras do que as suas esposas].” Ele costumava aceitar o compromisso de lealdade apenas verbalmente. Apertar as mãos com o sexo oposto intenciona a tentação que poderá eventualmente levar a fornicação. No entanto, não há mal em trocar saudações sem apertar as mãos, desde que fala sedutora seja evitada. E não há mal em as mulheres apertarem as mãos com relativos directos, como os seus pais, maridos e irmãos. O Profeta (paz esteja com ele) nunca era desrespeitoso para com as suas discípulas femininas, mas (mesmo assim) ele nunca apertou as suas mãos, portanto isto é um acto respeitoso para com as mulheres. A maioria dos não-Muçulmanos são muito compreensíveis quando este assunto lhes é explicado, portanto mais Muçulmanos devem-se esforçar a explicar este assunto em vez de se submeter, opondo assim os textos Proféticos e ficando aquém. Um Muçulmano pode verdadeiramente ser um membro responsável da comunidade, sem ceder as obrigações da sua religião e sem quebrar as leis do país anfitrião. Certamente, Muçulmanos bons, justos e praticantes tornam-se modelos exemplares de bom carácter nas comunidades.

A Facilidade Legislada

Pensadores e pregadores modernos emitem veredictos afirmando que a religião permite esta facilidade em que Allah é desobedecido. Se fosse o caso de o Mensageiro (paz esteja com ele) ter dado licença aos seus Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) para desobedecer as ordens claras do Alcorão e da Sunnah Profética, então nós iríamos de encontrar exemplos claros dos Companheiros opondo eles próprios as ordens contidas nos textos, no entanto tais narrações não são encontradas na literatura gigante de hadith. Nós nunca encontramos por exemplo os Companheiros rapando as suas barbas, ou as mulheres removendo os seus hijabs, ou homens apertando mãos com mulheres e outras coisas do que essas! As provas textuais relacionadas à facilidade revolvem-se à volta de concessões que estão também estabelecidas por evidências textuais, por exemplo: Está afirmado em texto que se uma pessoa não estiver apta para orar devido a uma doença, ou dificuldade, então essa pessoa ora enquanto sentada, se ela não for capaz disso, então ela ora deitada; Se uma pessoa não tem água perto dela, ou tem uma doença que a impede de utilizar água para executar a ablução (wudhu) para a oração ou tomar um banho depois de relações sexuais, então é lhe dada permissão para fazer uma purificação seca (tayamum) através de simplesmente esfregar a terra, limpando as mãos e a cara; Quando uma pessoa está de viagem, então ela encurta as suas orações de quatro para duas unidades e ela pode combinar entre algumas das orações e ela pode quebrar o seu jejum se desejar, mesmo que isto for no mês do Ramadão, e por aí diante. Estes são então apenas alguns exemplos de concessões e remoções de dificuldades incluídas na legislação sábia e divina.

Nota Final

Pode ver claramente, que a facilidade legislada não implica (ou obriga) desobediência a Allah. Nestes tempos encontramos aqueles que afirmam representar o ponto Islâmico moderno, no entanto em vez disso, eles opõem os textos Islâmicos e falam sobre a Religião de uma forma ignorante, e das afirmações mais ignorantes deles é, “Nós não encontramos este veredicto no Alcorão, portanto nós não somos obrigados a fazer isso.”, enquanto que está estabelecido que a legislação Islâmica é tomar do Alcorão, da Tradição Profética e do consenso dos Companheiros. O perigo com estes pontos de vista é que pequenas secções de comunidades Muçulmanas caiem como vítimas nas mãos dos extremistas como um retrocesso para aqueles pensadores modernistas da nova era que são negligentes na implementação da legislação Islâmica. Portanto no outro lado do espectro temos os extremistas escondidos nas sombras, esperando pelas suas presas. Eles doutrinam a juventude com doutrinas falsas que chamam para a violência e falsas noções de Jihad. Eles encorajam-nos com ataques suicidas e actos terroristas, que são proibidos pelo Alcorão e pela Pura Sunnah Profética.

Sumarizando o artigo: o caminho médio é aderir ao Alcorão e à Sunnah Profética de acordo com o entendimento dos Companheiros.

Fonte: SPubs.Com

Esta entrada foi publicada em A Ummah Em Conflicto. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *